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Danto


Danto por PGJr.Arthur Danto

Uma revolução na crítica de arte

Há uma revolução em curso na crítica de arte. O livro A transfiguracao do lu­gar-comum, do filósofo e crítico Arthur C. Danto, é um convite para participar dela. "O que é a arte?" Há respostas tradicionaispara essa pergunta: a arte é ou "mimesis" ou "forma" ou "expressão" ou "linguagem". A eks soma-se a do filósofo George Dickie, associada à teoria institucional da arte. Danto modifica e completa tal teoria

A noção de mimesis circula desde o tempo de Platão e Aristóteles. A obra de arte tem a ver com "representação", "imita­ção" ou "cópia". Já o formalismo assume a arte como a conquista da mais harmoniosa presença de uniformidade com variedade - características da forma. Todavia, foi acu­sado de fazer da obra de arte mera peça de­corativa. Perdeu espaço para a idéia de arte como expressão. Benedetto Croce chegou à equação "arte = intuição = razão". R. G. Collingwood falou de auto-expressão, e assim forneceu uma ligação entre obra e artista, até então inédita. Mas a teoria foi acusada de não fornecer um conceito de arte propriamente dito, apenas uma qua­lificação de certos aspectos da obra de arte.

Para fugir desse "subjetivismo" a obra de arte veio a ser vista como linguagem, e passou a ser estudada a partir de categorias tais como "significação", "referência", "de-notação", "regras sintáticas e semânticas". Em 1955, aconteceu o inevitável. Morris Weitz escreveu o célebre The role oftheory in aesthetics, no qual condenou qualquer tentativa de definição de arte. A arte seria um "conceito aberto", um campo no qual tudo valeria pela novidade e originalidade.

No entanto, contemporaneamente George Dickie conseguiu - sem desmentir Weitz no todo - criar a "teoria institucio­nal da arte" como uma formulação propo-sitalmente circular. Dickie define a arte a partir da circunscrição de suas condições de produção e apresentação. E uma teoria que clama por um adendo histórico, e é Arthur C. Danto o autor do adendo que, então, vira uma nova e boa teoria.

A teoria de Danto apresenta duas no­ções chaves: "artworlcT e "fim da arte" ou "fim da história da arte". O livro A trans­figuração do lugar-comum, dos anos 70, desenvolve essa idéia, retomada em After the endofart (1997). A noção de "artworlá" leva à idéia de uma "atmosfera" do mundo da arte. Trata-se daquilo que a tradição in­forma às obras de arte a respeito das épocas prévias a cada obra. A obra de arte, por sua vez, merece ser informada de sua circuns­crição histórica e social para ganhar vida y como obra de arte aceitável pelo público.

Ao seguir o rastro da "artworld" chega­mos à filosofia da história da arte e, então, à segunda noção chave: a de "fim da arte".

Do lado dos artistas, a arte chega a seu "fim" quando, por exemplo, Mareei Duchamp ou Andy Warhol provocam filósofos ou intelectuais (como o próprio Danto) na medida em que filosofam com a arte. Pelo lado dos filósofos, ela chega ao "fim" quan­do, em graus elevados de autoconsciência, ganha aspectos que só a filosofia pode ter; nesse caso, a "crítica de arte" (com a ajuda do filósofo) torna-se a ressonância e a re­flexão de detalhes colocados pelos artistas.

Danto avalia que, no "fim da arte", as linhas que separam a arte da reflexão filo­sófica sobre a arte são borradas. Ambas as atividades passam para as mãos do artista. Assim, na época do "fim da arte", os heróis da arte, para Danto, são figuras como Mar­eei Duchamp, com seu Fountain e Andy Warhol, com suas Brillo boxes.

O próprio Danto, como crítico de arte do jornal The Nation, se torna então um narrador da história da arte em seu mo­mento de completude, em seu "fim". Deixa de lado o que seria o trabalho do filósofo para explicar a arte. Pois a arte, no mo­mento de seu "fim", está, obviamente, em seu estado de maior autoconsciência. Mas tudo isso já é mais do que o leitor precisa saber para aproveitar ao máximo a leitura de Danto. Boa revolução!

© 2007 Paulo Ghiraldelli Jr.


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